Os poemas de Harrods : Poemas de um nômade americano 2, de Hugo Noël Santander Ferreira - Prólogo por Leyla Margarita Tobías Buelvas
- Consultorías Stanley
- 4 de jan.
- 8 min de leitura

Os poemas de Harrods : Poemas de um nômade americano 2, de Hugo Noël Santander Ferreira, abre um território de consciência ao apresentar as tarefas de um trabalho humilde em sua dimensão poética, ética e espiritual. O leitor perscruta um espelho plural onde o desenraizamento contemporâneo adquire forma, consciência e linguagem. Os Poemas de Harrods e América de Sul a Norte formam um só corpo narrativo e simbólico, organizado como travessia, memória e afirmação. Hugo Noël Santander Ferreira escreve a partir do movimento, do trabalho, da cultura e da vida assumida com atenção e estudo; a partir de uma existência atravessada por geografias, línguas, ofícios, tradições e vínculos humanos. A palavra surge aqui como resultado de uma transumância vivida que se transforma em lírica e, por meio de suas imagens sensíveis, em ato de restituição humana.
O volume se inscreve dentro de um projeto maior subtitulado Poemas de um nômade americano. Seu primeiro tomo, América de Norte a Sul, traçou uma cartografia inicial do continente como experiência histórica, cultural, amorosa e espiritual. Este segundo tomo amplia e completa esse percurso. O trajeto se inverte, o horizonte se expande e a consciência se torna mais cosmopolita. O nômade americano retorna, observa, integra e formula uma visão madura do mundo contemporâneo, incorporando agora o exílio, o trabalho migrante, o contato com outras civilizações e a reflexão filosófica e espiritual como dimensões centrais da viagem.

Os Poemas de Harrods ocupam o núcleo experiencial do livro. Harrods é o emblema do mundo laboral: espaço onde convergem comércio, beleza, disciplina, vigilância, desejo e esforço humano sustentado. Em seus corredores, depósitos e ritmos exigentes, o poeta desenvolve um olhar atento que observa com profundidade o funcionamento do sistema e a condição de quem o sustenta com o corpo, o tempo e a observação. Esta poesia nasce de uma consciência desperta, formada na experiência direta como chefe de depósito, e expressa com rigor estético e ético. A experiência laboral transforma-se em conhecimento, e o conhecimento em memória poética.
Este livro afirma que a dignidade pertence ao ser humano como essência. A função laboral, o uniforme, o turno, o salário, a repetição diária e a vigilância ficam integrados numa visão mais ampla em que a consciência, a cultura e a sensibilidade constituem o verdadeiro centro. O trabalho cotidiano revela-se como espaço de aprendizagem interior, e a escrita como exercício de fidelidade à própria vida. O corpo aparece como lugar onde se inscreve a história contemporânea, e a poesia preserva essa inscrição como testemunho consciente.
Em Campos de cana envernizados de concreto, o poeta traça uma geografia moral do mundo urbano. A cidade moderna aparece como território de memória e afeto, onde amor, perda e esperança convivem com o asfalto. O poema declara:
Hoje caminhei as ruas desabadas
desta cidade que ainda carrega nossa ferida,
buscando nos cantos e nas fachadas
a dita que em teu abraço foi minha tocha
A lembrança é um território conquistado pela palavra. Londres se configura como uma nova Cartago, centro de consumo e cenário de aprendizado histórico. A cidade imperial integra-se numa leitura simbólica que enlaça passado e presente, afeto e estrutura, corpo e arquitetura. Suas ruas, parques, bibliotecas, teatros e ritmos acompanham um processo interior em que caminhar, trabalhar, ler e recordar formam um mesmo gesto criador.
Em Elegia do acadêmico invisível, o livro expõe com clareza a tensão entre conhecimento e reconhecimento social. O poema enuncia:
Meus superiores jamais me dirigiram
palavra além do ordenado,
nem sequer me olharam nos olhos,
embora soubessem da minha formação acadêmica
Compartilhamos uma das experiências centrais do livro: a distância entre o saber interior e sua valorização no engrenagem institucional. A vivência pessoal transforma-se em consciência crítica e em afirmação da dignidade intelectual, integrando a experiência acadêmica numa reflexão profunda sobre o lugar do pensamento na sociedade contemporânea.
Shakespeare confessando-me seus versos constrói uma das imagens mais poderosas do livro: a dupla consciência do trabalhador intelectual. O poeta escreve:
E assim minha mente leu por meus ouvidos
enquanto meus braços dobravam vestidos.
A frivolidade da moda tornou-se tolerável
com as irmãs Brönte e seus amantes
A literatura é presença ativa e disciplina interior. A leitura converte-se em gesto cotidiano que acompanha o trabalho manual e transforma o espaço laboral em território de criação. A palavra sustenta, ordena e eleva a experiência diária, integrando corpo e pensamento num mesmo ato vital.
Em Os verdadeiros párias desta terra, o livro desenvolve uma crítica direta à moral do capital contemporâneo, desmontando seus disfarces éticos e sua retórica de êxito. O poema afirma:
Ser rico é roubar o que é dos outros,
viver sob o disfarce da opulência,
ostentar fanfarronices e crer nelas,
oferecer ajuda só se houver investimento
A poesia torna-se aqui juízo moral e exercício de lucidez, situando a dignidade humana como valor superior a qualquer acumulação material.
A dimensão testemunhal atinge intensidade particular em Acidente de trabalho, onde a vivência laboral se narra com precisão quase documental. O poema registra:
O trinta e um de agosto se prolonga
até a meia-noite, é o arremate
Ordenam-nos reorganizar as lojas
com estantes de aço desmontáveis
O corpo do trabalhador aparece como lugar onde se inscreve a história contemporânea. A escrita preserva essa experiência como memória ativa, integrando esforço e consciência numa forma poética que dignifica o vivido.
O Salgueiro encurvado ergue-se como um dos grandes núcleos simbólicos do livro. O poeta contempla a natureza em meio ao entorno urbano e escreve:
Surge belo o esquelético salgueiro
à beira da ponte, hibernando,
e demorei-me contemplando-o,
não chego pontual ao meu trabalho
A contemplação manifesta-se como forma de afirmação estética. A beleza aparece como gesto consciente que dá sentido ao tempo e ao movimento, integrando natureza e cidade numa mesma experiência poética.
Em Autorretrato aos vinte anos, o livro revela seu núcleo ético mais profundo. O poeta declara:
Por isso canto a lama, não a glória,
pois o silêncio ao vício dá memória.
Escrever, ler, da alma são a cura,
em ruas sujas, mentes que se arrastam
Aqui se formula uma poética da fidelidade interior, em que escrever e ler aparecem como práticas de cuidado da alma e como caminhos de formação ética. A juventude se apresenta como espaço de consciência precoce, capaz de escolher profundidade em vez de brilho efêmero.
A partir desse núcleo experiencial, o livro se expande para seu segundo grande movimento: América de Sul a Norte, escrito após o retorno do poeta do mundo anglófono à Colômbia em 2006. A viagem desloca-se do espaço urbano-laboral para uma travessia cultural, filosófica e espiritual. A memória do poeta abarca agora continentes, credos, línguas e tradições, integrando essas experiências numa visão ampla do Ser. América, Europa e Ásia aparecem como estações de uma mesma aprendizagem humana.
Nesse segundo bloco, a voz poética formula uma meditação sobre identidade, pertencimento e sentido. A vida aparece como competição compartilhada e como marcha coletiva, observada com atenção ética e profundidade simbólica. O poema inicial afirma:
Todo homem e mulher afinal caminha.
Ninguém se atreve a olhar para o lado.
Como um escravo que teme as estrelas,
eu sigo o passo atrás, bem atrasado.
A reflexão articula-se também em torno do pensamento contemporâneo, como em Sociologia de E. Sanders, onde a vida institucional aparece como molde da consciência coletiva:
Um odor burocrático e constante
invade o privado e o sagrado.
A Empresa treina nossa consciência
para pensar sem amor sobre a vida.
Em Teleologia de E. Sanders, o poeta vincula ética, história e catástrofe contemporânea, integrando a experiência global numa leitura moral do mundo:
Não sofre o Japão
por ter negado sua abundância
a povos que, pobres, desfaleciam?
Seus tesouros perderam num só dia!
A dimensão espiritual alcança tom celebratório e reflexivo em Índia, onde o poeta afirma uma visão integradora dos credos e da experiência religiosa:
A Índia é um país de alegorias.
No Ocidente amamos o visível,
buscamos o real como aparência,
a forma que responde à matéria.
A memória histórica se ativa com força em Górki, onde a figura do escritor se converte em símbolo do vínculo entre arte, poder e consciência:
A Mãe foi seu canto mais ardente,
um grito entre correntes e fuzis,
onde o amor tecia rebeldias
e o filho era a pátria que nascia.
A reflexão sobre identidade continental se desdobra em América e Europa, onde o poeta afirma uma consciência mestiça, histórica e espiritual:
Europeu e indígena é minha fronte,
sem nome fixo, sem nação nem rei,
sou filho de um conflito persistente,
do ouro que fugiu de meus ancestrais.
O livro incorpora a memória familiar como raiz ética e afetiva. Em Esforços de meus pais, a dignidade do trabalho honesto se transmite como legado, conflito que é tema de seu romance premiado Desde o Viaduto (2025). Em Mamita Carmen e Da minha bisavó Mercedes, a genealogia feminina aparece como sustento espiritual e como transmissão de fortaleza, ternura e memória.
O trajeto culmina numa afirmação coral de credos e culturas em Sinfonia de Credos, onde Oriente e Ocidente se integram numa visão unitária:
Do profundo amparo dos Upanishads
e da Bíblia em sacra revelação,
ouvi a voz de Deus na tempestade,
troar sua luz dentro do coração.
O subtítulo Poemas de um nômade americano 2 exprime a arquitetura desta obra. O número dois indica continuidade, maturidade e expansão da consciência. O primeiro tomo traçou uma cartografia inicial do continente; este segundo integra o exílio, o trabalho migrante, o diálogo entre civilizações e a reflexão espiritual como dimensões centrais de suas viagens pelo mundo, nas quais Bucaramanga flutua como Bagdá nas Viagens de Simbad das Mil e Uma Noites.
Ambos os tomos compartilham uma mesma ética, uma mesma voz e uma mesma vocação integradora. Juntos conformam um só organismo poético, onde o movimento se converte em forma e a experiência em conhecimento.
Este livro afirma a dignidade humana como valor essencial, o trabalho honesto como espaço de formação interior, a cultura como diálogo vivo entre tradições e a palavra como forma de verdade encarnada.
Os Poemas de Harrods: Poemas de um nômade americano 2 abre-se assim como umbral e como mapa. Convida o leitor a percorrer uma obra de alcance universal, que entende a poesia como caminho, como exercício de consciência e como ato de integração humana.
Nestas páginas, a palavra se torna lar, a memória se torna forma e a viagem se torna sentido.
— Leyla Margarita Tobías Buelvas
Bucaramanga, primeiro de janeiro de 2026
3 horas e 55 minutos de canções ininterruptas
🎶 Canções Ecléticas – Inspiradas em Os poemas de Harrods: Poemas de um nômade americano 2 🎶
Durante 3 horas e 55 minutos de música contínua, estas canções ecléticas percorrem o mesmo caminho ético, poético e espiritual do livro que as inspira.
Este projeto musical nasce como uma extensão sonora do livro Os poemas de Harrods: Poemas de um nômade americano 2, de Hugo Noël Santander Ferreira. (https://www.amazon.com.br/dp/B0GDGJ5Q4P ) Trabalho, exílio, cidade, memória, fé, crítica social, amor, cansaço e dignidade humana convergem aqui em uma cartografia sonora que dialoga com a poesia, a filosofia e a experiência vivida.
As composições transitam entre o intimista e o coral, o urbano e o espiritual, o narrativo e o contemplativo. São canções para ouvir, refletir, caminhar, trabalhar, recordar — uma trilha sonora do nomadismo contemporâneo.
O livro Os poemas de Harrods: Poemas de um nômade americano 2 parte da experiência concreta do trabalho — corredores, vitrines, armazéns, turnos, vigilância, fadiga — e a transforma em consciência poética.
Essa mesma operação ocorre aqui no plano musical: o cotidiano se converte em som, ritmo, respiração e duração.
Cada faixa nasce de um poema, de uma imagem, de um fragmento de vida, mas o conjunto forma uma travessia sonora contínua, pensada para ser ouvida como quem caminha longamente por uma cidade, por um exílio, por uma memória. Canções
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Os poemas de Harrods: Poemas de um nômade americano 2, de Hugo Noël Santander Ferreira
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